stand-up
Cria uma performance falada em estilo slam, com voz portuguesa, rouca, íntima, muito próxima do microfone. A interpretação deve respirar, tremer, fazer pausas que cortam o ar. O texto é cru e direto: fala de pele, memória, medo, portas interiores que se abrem sem pedir. O narrador admite que nunca soube amar, mas encontra alguém que o desarma. O slam alterna frases curtas, murmuradas, com explosões emocionais, como se a verdade escapasse sem controlo. A música de fundo é mínima: batidas secas, texturas orgânicas, respiração. A voz deve soar vivida, imperfeita, real, com hesitações naturais e ênfases que batem no peito. O clímax é uma revelação dita devagar, firme, que fica a ecoar no silêncio.
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Lyrics
Imagina que você tá aí… tranquilo… ouvindo essa voz…
E de repente começa a sentir uma coisa estranha…
Não é espiritualidade.
Não é iluminação.
É só o seu cérebro dizendo:
“Meu Deus… lá vem besteira.”
E vem mesmo.
Porque, conforme você escuta, percebe que cada frase te puxa…
Tipo aquele amigo que diz “rapidinho, só uma história”…
E três horas depois você já sabe o nome de todos os ex‑namorados dele, do cachorro e do vizinho do terceiro andar.
E você tenta resistir…
Mas não dá.
A voz vai entrando…
Vai deslizando…
Vai se instalando…
Igual boleto no começo do mês: você não pediu, mas ele chega.
E aí você começa a sentir uma calma estranha.
Uma paz interior.
Uma serenidade profunda.
Mas não é evolução espiritual, não.
É só o cérebro desligando porque ele não sabe mais o que fazer com essa informação.
A respiração muda.
O olhar fixa.
E você pensa:
“Por que eu tô ouvindo isso?
E por que tá funcionando?”
E funciona.
Porque agora cada palavra parece uma massagem mental…
Feita por alguém que claramente não tem diploma…
Mas tem entusiasmo.
Muito entusiasmo.
E você vai entrando num estado profundo…
Mas não de sabedoria.
De bobeira mesmo.
Aquele estado em que tudo parece possível:
Arrumar a vida…
Organizar a gaveta de meias…
Entender como dobra lençol de elástico…
Coisas impossíveis.
E de repente você percebe que tá rindo.
Ou quase rindo.
Ou segurando o riso porque tem gente por perto e você não quer parecer maluco.
Mas já era.
O riso vem.
A gargalhada ameaça.
O abdômen contrai.
A alma vibra.
O caos interno aplaude.
E você entende:
Essa voz não quer te ensinar nada.
Não quer te transformar.
Não quer te iluminar.
Ela só quer te lembrar que, às vezes, a melhor hipnose…
É aquela que te faz rir até esquecer por alguns segundos que o mundo é uma bagunça deliciosa.
E pronto.
Agora você tá oficialmente hipnotizado.
Pela força suprema…
Da bobagem bem contada.