Aniversariante do Tempo
Soukous-Rhumba animação,Male Voice
00:00 / 00:00
Lyrics
Verso 1
Nasci com um pé no Douro, outro na calçada
A aprender a lição que só o rio ensina
De que a vida é uma viagem nunca terminada
E a alma, uma ponte que o granito assina
Cheira a tripas à porta, é dia de feira
Minha mãe benze a casa com vinho do Porto
Diz que é para a má sorte ir pela ribeira
E o santo ficar cá, neste conforto
Levo na linhagem o cheiro a maresia
Que sobe do rio e me entra pelo peito
Sou filho da neblina, da luz fugidia
Desta cidade que nunca foi perfeita
Mas que me fez à sua imagem:
Teimoso, leal, de tripa e coragem
Pré-refrão
Ó Porto, meu velho, meu novo, meu sempre
Tu que fazes anos em cada nascer do dia
Ensina-me a dança que o rio não teme
A cadência certa para chegar onde eu queria
Refrão
Bate o pé no chão, que a Ribeira treme
Fado no corpo, a alma é que não teme
Vou da Foz ao Marquês num só passo, num só som
O Porto é um só povo, um só coração
Francesinha na mesa, o copo a transbordar
Vinho velho na alma, vontade de dançar
E o rio a dizer baixinho: "não tenhas pressa, não
O aniversariante do tempo é o Porto, é este chão"
Verso 2
Lá em cima, na Sé, fiz promessa a Nossa Senhora
De nunca esquecer a língua que me deu o gosto
De chamar "amigo" a quem merece, sem demora
E "tripeiro" a quem leva este povo no rosto
Do Passeio Alegre à Ribeira, vou gingando
Com a neblina a fazer-me companhia
Cada pedra que piso vai-me contando
Histórias de um povo que nunca se extinguia
E à noite, quando os bares da Baixa acordam
E o fado vadio se encontra com o mundo
Há um momento em que as almas se transbordam
E o Douro lá fora parece uma tromba
De um elefante que dança devagar
Para não acordar quem se foi deitar
Pré-refrão
Ó Porto, meu velho, meu novo, meu sempre
Tu que fazes anos em cada nascer do dia
A minha voz é tua, o meu canto pertence
A quem me deu a tripa e a ousadia
Refrão
Bate o pé no chão, que a Ribeira treme
Fado no corpo, a alma é que não teme
Vou da Foz ao Marquês num só passo, num só som
O Porto é um só povo, um só coração
Francesinha na mesa, o copo a transbordar
Vinho velho na alma, vontade de dançar
E o rio a dizer baixinho: "não tenhas pressa, não
O aniversariante do tempo é o Porto, é este chão"
Ponte
E se um dia o rio se cansar de ir para o mar
E a ponte D. Luís desistir de nos ligar
Há de ficar o cheiro a broa e a sardinha
Há de ficar a língua, a maneira, a vizinha
Que vem à janela perguntar: "então, está tudo bem?"
E a resposta é sempre a mesma, sabe-se lá porquê:
"Está tudo, mulher. O Porto está aqui.
E enquanto ele estiver, eu também."
Refrão Final
Bate o pé no chão, que a Ribeira treme
Fado no corpo, a alma é que não teme
Vou da Foz ao Marquês num só passo, num só som
O Porto é um só povo, um só coração
Francesinha na mesa, o copo a transbordar
Vinho velho na alma, vontade de dançar
E o rio a dizer baixinho: "não tenhas pressa, não
O aniversariante do tempo é o Porto, é este chão"
Outro
É este chão...
Ó Porto...
Meu velho...
Até amanhã.