Aniversariante do Tempo

Aniversariante do Tempo

Soukous-Rhumba animação,Male Voice

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Lyrics

Verso 1 Nasci com um pé no Douro, outro na calçada A aprender a lição que só o rio ensina De que a vida é uma viagem nunca terminada E a alma, uma ponte que o granito assina Cheira a tripas à porta, é dia de feira Minha mãe benze a casa com vinho do Porto Diz que é para a má sorte ir pela ribeira E o santo ficar cá, neste conforto Levo na linhagem o cheiro a maresia Que sobe do rio e me entra pelo peito Sou filho da neblina, da luz fugidia Desta cidade que nunca foi perfeita Mas que me fez à sua imagem: Teimoso, leal, de tripa e coragem Pré-refrão Ó Porto, meu velho, meu novo, meu sempre Tu que fazes anos em cada nascer do dia Ensina-me a dança que o rio não teme A cadência certa para chegar onde eu queria Refrão Bate o pé no chão, que a Ribeira treme Fado no corpo, a alma é que não teme Vou da Foz ao Marquês num só passo, num só som O Porto é um só povo, um só coração Francesinha na mesa, o copo a transbordar Vinho velho na alma, vontade de dançar E o rio a dizer baixinho: "não tenhas pressa, não O aniversariante do tempo é o Porto, é este chão" Verso 2 Lá em cima, na Sé, fiz promessa a Nossa Senhora De nunca esquecer a língua que me deu o gosto De chamar "amigo" a quem merece, sem demora E "tripeiro" a quem leva este povo no rosto Do Passeio Alegre à Ribeira, vou gingando Com a neblina a fazer-me companhia Cada pedra que piso vai-me contando Histórias de um povo que nunca se extinguia E à noite, quando os bares da Baixa acordam E o fado vadio se encontra com o mundo Há um momento em que as almas se transbordam E o Douro lá fora parece uma tromba De um elefante que dança devagar Para não acordar quem se foi deitar Pré-refrão Ó Porto, meu velho, meu novo, meu sempre Tu que fazes anos em cada nascer do dia A minha voz é tua, o meu canto pertence A quem me deu a tripa e a ousadia Refrão Bate o pé no chão, que a Ribeira treme Fado no corpo, a alma é que não teme Vou da Foz ao Marquês num só passo, num só som O Porto é um só povo, um só coração Francesinha na mesa, o copo a transbordar Vinho velho na alma, vontade de dançar E o rio a dizer baixinho: "não tenhas pressa, não O aniversariante do tempo é o Porto, é este chão" Ponte E se um dia o rio se cansar de ir para o mar E a ponte D. Luís desistir de nos ligar Há de ficar o cheiro a broa e a sardinha Há de ficar a língua, a maneira, a vizinha Que vem à janela perguntar: "então, está tudo bem?" E a resposta é sempre a mesma, sabe-se lá porquê: "Está tudo, mulher. O Porto está aqui. E enquanto ele estiver, eu também." Refrão Final Bate o pé no chão, que a Ribeira treme Fado no corpo, a alma é que não teme Vou da Foz ao Marquês num só passo, num só som O Porto é um só povo, um só coração Francesinha na mesa, o copo a transbordar Vinho velho na alma, vontade de dançar E o rio a dizer baixinho: "não tenhas pressa, não O aniversariante do tempo é o Porto, é este chão" Outro É este chão... Ó Porto... Meu velho... Até amanhã.