Cria uma performance falada em estilo slam, com voz portuguesa, rouca, íntima, muito próxima do microfone. A interpretação deve respirar, tremer, fazer pausas que cortam o ar. O texto é cru e direto: fala de pele, memória, medo, portas interiores que se abrem sem pedir. O narrador admite que nunca soube amar, mas encontra alguém que o desarma. O slam alterna frases curtas, murmuradas, com explosões emocionais, como se a verdade escapasse sem controlo. A música de fundo é mínima: batidas secas, texturas orgânicas, respiração. A voz deve soar vivida, imperfeita, real, com hesitações naturais e ênfases que batem no peito. O clímax é uma revelação dita devagar, firme, que fica a ecoar no silêncio.